Democratas miram vínculos de Trump com criptomoedas em investigações no Congresso
Os democratas estão se preparando para abrir investigações no Congresso sobre os vínculos financeiros entre o setor de criptomoedas e a família do presidente Donald Trump, após conquistarem o controle das duas casas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos. A expectativa é que Elizabeth Warren lidere a Comissão Bancária do Senado, enquanto Robert Garcia deve chefiar a Comissão de Fiscalização da Câmara dos Representantes.
As investigações podem examinar a World Liberty Financial (WLFI), sua stablecoin USD1, a memecoin TRUMP, investimentos estrangeiros e possíveis conflitos de interesse. Warren pediu que órgãos federais investiguem as vendas de tokens da World Liberty Financial, seus compradores e as salvaguardas contra lavagem de dinheiro. Os pedidos levantam dúvidas, mas não comprovam que alguma compra de tokens tenha envolvido atividade ilícita. Separadamente, senadores questionaram o cumprimento das sanções pela Binance e sua relação com a World Liberty Financial, citando o papel da USD1 em um investimento de US$ 2 bilhões na exchange, segundo relatos.
As investigações planejadas sobre criptomoedas podem consumir recursos de lobby do setor e aumentar a incerteza regulatória. Elas também ocorrem enquanto o CLARITY Act continua parado após uma votação processual em setembro, cujo resultado foi de 49 votos a 50. Os democratas têm defendido regras de ética mais rigorosas, incluindo restrições aos interesses do presidente em criptomoedas, embora alguns parlamentares afirmem continuar abertos a uma legislação sobre a estrutura do mercado.
Bearish
As notícias são moderadamente negativas para o sentimento em relação às criptomoedas, sobretudo para os tokens e as empresas diretamente ligados às investigações. Apurações do Congresso podem aumentar os riscos jurídicos, de conformidade e de reputação, enquanto a estagnação do CLARITY Act deixa sem solução a estrutura regulatória do mercado dos EUA. Os traders podem exigir um prêmio de risco maior ou reduzir a exposição aos ativos afetados, especialmente se surgirem novos documentos ou medidas de fiscalização.
No entanto, a reportagem descreve ações de supervisão planejadas e perguntas feitas por parlamentares, não constatações de irregularidades nem novas restrições. Não há mudança direta na oferta de tokens, na atividade das redes ou nas regras de negociação. Assim, qualquer reação imediata do mercado pode se concentrar em WLFI, nas atividades relacionadas ao USD1 e em TRUMP, em vez de atingir o mercado cripto como um todo. As preocupações relacionadas à Binance também podem pesar sobre o sentimento em torno da BNB se o escrutínio se intensificar, embora a reportagem não mencione nenhuma nova ação contra a exchange.
Disputas regulatórias anteriores nos EUA muitas vezes provocaram movimentos bruscos, impulsionados por manchetes, nos tokens diretamente afetados, enquanto a direção mais ampla do mercado dependeu mais da liquidez, das tendências do Bitcoin e das condições macroeconômicas. No curto prazo, é provável que os traders acompanhem as nomeações para comitês, os pedidos de investigação e as respostas das empresas e agências envolvidas. No longo prazo, uma legislação mais clara pode reduzir a incerteza, mas investigações prolongadas e disputas éticas não resolvidas podem atrasar essa clareza e manter um desconto regulatório sobre as empresas cripto ligadas aos EUA. Portanto, a avaliação negativa é uma leitura do sentimento de risco, não uma evidência de uma queda iminente em todo o mercado.